
Por Denys Sales, fundador da DVS Performance.
“Denys, é melhor anunciar no Google Ads ou na Meta Ads (Instagram e Facebook)?” Essa é uma pergunta importante, mas a resposta começa antes da escolha da plataforma. Eu preciso entender o que você vende, como o cliente decide, quanto pode investir e o que acontece depois que alguém chega ao seu negócio.
Uma clínica, uma marmoraria e uma loja de roupas podem encontrar oportunidades nos dois canais. Isso não significa que devam usar a mesma estratégia ou dividir o orçamento da mesma maneira.
A escolha precisa partir do comportamento do cliente e da realidade comercial da empresa. Neste artigo, vou mostrar como eu avalio essa decisão e como Google Ads e Meta Ads podem participar de uma mesma jornada de compra.
A principal diferença está no contexto em que a pessoa encontra a oferta
Na pesquisa do Google, a pessoa expressa um interesse por meio de uma busca. Ela pode estar procurando uma solução, comparando fornecedores ou tentando entender um problema. O anúncio tem a oportunidade de aparecer nesse contexto.
No Instagram e no Facebook, a descoberta frequentemente acontece enquanto a pessoa acompanha conteúdos. Uma apresentação relevante pode despertar interesse por algo que ela ainda não estava buscando naquele momento.
Essa diferença ajuda a pensar a estratégia, mas não determina uma função fixa para cada canal. Pesquisar não significa estar pronto para comprar. Descobrir uma oferta no Instagram ou no Facebook não impede uma compra imediata. Precisamos observar o que a pessoa procura, o que o anúncio apresenta e qual é a próxima ação.
Quando a pesquisa do Google pode fazer sentido
As campanhas de pesquisa permitem alcançar pessoas que estão buscando produtos ou serviços. Por exemplo, “marmoraria em Ribeirão Preto” indica um contexto diferente de “como limpar bancada de mármore”. A primeira busca pode sinalizar procura por um fornecedor; a segunda pode ser apenas uma dúvida de manutenção.
Eu começo investigando se há procura relacionada à oferta e à região atendida. Depois avalio intenção, concorrência, custos possíveis e a capacidade da página de responder à necessidade apresentada.
Algumas condições que podem favorecer esse caminho:
- Uma necessidade que o cliente consegue nomear: ele sabe o que está procurando.
- Uma área de atendimento definida: a empresa consegue atender a região alcançada.
- Uma oferta coerente com a busca: o destino do anúncio responde ao interesse demonstrado.
- Um próximo passo simples: solicitar orçamento, conversar, agendar ou comprar.
Isso não torna a venda automática. Um acesso qualificado ainda pode ser perdido por uma página confusa, falta de informações, prazo de entrega inadequado ou atendimento lento.
O Google também precisa de estratégia de palavras-chave
Não basta cadastrar palavras relacionadas ao segmento. Eu observo as buscas que acionam os anúncios, identifico intenções incompatíveis e reviso o alinhamento entre campanha, mensagem e página.
Uma empresa que instala bancadas, por exemplo, pode receber acessos de pessoas procurando emprego, cursos ou instruções para fazer o trabalho sozinhas. Dependendo do objetivo, essas buscas podem consumir verba sem gerar oportunidades comerciais adequadas.
O trabalho é aproximar a campanha da necessidade que o negócio consegue resolver, acompanhando a qualidade dos contatos. A palavra-chave participa dessa organização, mas precisa ser avaliada junto com o resultado.
Quando a Meta Ads (Instagram e Facebook) pode fazer sentido
Os anúncios da Meta no Instagram e no Facebook podem ser especialmente interessantes quando mostrar o produto, explicar a experiência ou apresentar a diferença da oferta ajuda o cliente a reconhecer seu valor.
Uma loja pode demonstrar como uma peça veste. Um salão pode apresentar o ambiente e explicar a experiência do atendimento. Uma empresa de móveis pode mostrar aplicações e detalhes que uma descrição curta dificilmente comunica.
Eu considero principalmente:
- Capacidade de apresentação: existem fotos, vídeos e informações que mostram a oferta com qualidade?
- Diferenciação: o cliente entende o que torna aquela solução relevante para ele?
- Coerência do perfil e do destino: quem se interessa encontra informações consistentes para avançar?
- Objetivo comercial: a campanha está organizada para a ação que a empresa precisa acompanhar?
Uma rede social ativa pode contribuir para a confiança, mas número de seguidores não garante vendas. Da mesma forma, um anúncio com muitas curtidas não prova que atraiu pessoas dispostas a contratar.
Eu avalio o papel de cada conteúdo: apresentar, explicar, responder a uma dúvida, apoiar a comparação ou incentivar uma ação. Um vídeo interessante pode chamar atenção e ainda deixar perguntas importantes sem resposta.
Google Ads e Meta Ads: entenda os ambientes de cada plataforma
Quando eu uso a comparação “Google Ads ou Meta Ads”, estou simplificando uma escolha que envolve formatos e campanhas diferentes.
O Google Ads não se limita à pesquisa. Há campanhas que alcançam outros ambientes, como YouTube e Rede de Display. A Performance Max, por exemplo, pode operar em diferentes inventários do Google. Por isso, anunciar no Google não significa, necessariamente, aparecer apenas para alguém que está fazendo uma busca.
A Meta Ads permite anunciar no Instagram e no Facebook, entre outros ambientes disponíveis. A seleção de posicionamentos e a configuração da campanha influenciam onde e como a oferta aparece. Também é necessário separar a presença orgânica da estratégia de mídia paga (tráfego pago).
Eu comparo estratégias e resultados, não apenas o nome das plataformas. Colocar toda campanha do Google na categoria “conversão” e toda campanha da Meta na categoria “atenção” pode esconder oportunidades e distorcer decisões.
Como os dois canais podem trabalhar juntos
Imagine uma pessoa que conhece uma marca pelo Instagram, visita o perfil e salva um produto. Alguns dias depois, ela pesquisa o nome da empresa no Google, consulta as condições de entrega e compra.
Agora imagine o caminho inverso: alguém encontra um fornecedor na pesquisa, visita o site e depois procura o Instagram para conhecer o trabalho, a equipe e os detalhes do serviço.
Nos dois exemplos, a decisão envolve mais de um ponto de contato. O canal em que a venda termina não conta, sozinho, toda a história.
Uma estratégia integrada pode combinar descoberta, aquisição, consideração e conversão, respeitando o papel das campanhas e as condições de mensuração. Retomar o contato com públicos que já demonstraram interesse também pode fazer sentido, quando houver base suficiente e configurações apropriadas.
Para aprofundar essa leitura, veja o artigo sobre o funil de vendas e o papel do tráfego pago.
Três exemplos para aplicar esse raciocínio
Os cenários abaixo são exemplos de planejamento, não promessas de resultado nem regras obrigatórias para cada segmento.
1. Clínica ou negócio local
Uma clínica pode encontrar pessoas pesquisando por um serviço e uma localização no Google. No Instagram e no Facebook, pode apresentar sua estrutura e explicar como funciona o atendimento, ajudando quem ainda está avaliando opções.
A decisão depende da procura, da oferta, da região, dos materiais disponíveis e da capacidade de atendimento. A comunicação também precisa respeitar as regras aplicáveis ao serviço e às plataformas.
Na avaliação, eu separo o clique no WhatsApp da conversa efetiva e do agendamento. Também acompanho comparecimento e contratação, quando esses registros estão disponíveis. Gerar um contato e conquistar um cliente são etapas distintas.
2. Serviço com orçamento, como uma marmoraria
A pesquisa pode aproximar a empresa de quem já procura um fornecedor. Os anúncios da Meta podem ajudar a mostrar acabamentos, aplicações e formas de trabalhar, apoiando a consideração.
O acompanhamento deve chegar à qualidade do orçamento solicitado e ao fechamento. Poucos contatos adequados podem ser mais úteis que muitas conversas fora da região, do tipo de serviço ou das condições de atendimento.
Se o prazo de entrega impede o fechamento, ampliar a verba não resolve essa limitação. O canal pode estar cumprindo seu papel enquanto a operação precisa de outro ajuste.
3. Loja online
Uma loja pode alcançar pesquisas por produtos no Google e apresentar coleções, usos e diferenciais no Instagram e no Facebook. A combinação depende do catálogo, da demanda, da margem, da experiência no site e dos conteúdos disponíveis.
Eu acompanho compras, aquisição de novos clientes e resultado financeiro. Um retorno elevado em uma campanha que alcança clientes antigos não deve ser interpretado automaticamente como crescimento da base de compradores.
E se o orçamento só permitir começar por um canal?
Eu prefiro uma hipótese bem definida a espalhar um orçamento limitado por várias frentes sem condições de aprender com nenhuma delas.
Se existe procura relevante e uma oferta preparada para responder a ela, a pesquisa pode ser uma hipótese inicial. Se a oferta precisa ser demonstrada e há materiais consistentes para despertar interesse, a Meta Ads pode ser uma hipótese. Em ambos os casos, a escolha precisa ser validada no cenário concreto.
Não existe uma divisão universal de 50% para cada plataforma, nem um valor mínimo que sirva a todos os negócios. Custos de concorrência, volume de procura, região, objetivo e tempo até a venda mudam a necessidade de investimento.
O teste precisa de orçamento e período compatíveis com o processo comercial. Alterar tudo diariamente ou concluir com base em uma única venda dificulta entender o que realmente aconteceu.
O que comparar para decidir onde investir mais
Comparar apenas o custo por clique pode levar à escolha errada. Eu observo a passagem do acesso ao resultado:
- Quanto foi investido em cada campanha?
- Quantas visitas relevantes e contatos efetivos chegaram?
- Qual proporção dos contatos tinha o perfil desejado?
- Quantos avançaram para agendamento, proposta ou compra?
- Qual foi o custo de mídia por novo cliente?
- Que receita e margem esses clientes trouxeram?
- Quanto tempo foi necessário para concluir a venda?
Eu também verifico as regras de atribuição e a qualidade dos registros. A mesma venda pode aparecer em mais de uma plataforma. Somar todos os resultados atribuídos pode superestimar o total do negócio.
No artigo Como saber quais anúncios realmente trazem clientes?, explico como conectar essas informações e separar clique, contato e venda.
Como o Método ETAPAS orienta essa escolha
No Método ETAPAS, eu não começo escolhendo a plataforma. Começo entendendo o negócio:
- Entender: conhecer oferta, cliente, margem, região e capacidade de atender.
- Traçar: definir o objetivo e o papel de cada frente na jornada.
- Analisar: investigar demanda, campanhas, estrutura técnica e dados comerciais.
- Priorizar: escolher onde testar e qual gargalo merece atenção primeiro.
- Agir: colocar as ações contratadas em prática, com critérios para acompanhar seus efeitos.
- Sustentar: ajustar o investimento conforme os resultados e a realidade da operação.
Isso permite mudar a pergunta de “qual plataforma é melhor?” para “qual estratégia ajuda meu negócio a encontrar, conquistar e atender os clientes certos?”
Antes de escolher, responda a estas perguntas
- O cliente já procura pelo que você vende ou precisa conhecer a solução?
- Você consegue apresentar o valor da oferta com informações e materiais consistentes?
- O site, o perfil e o atendimento estão preparados para receber o interesse?
- Há orçamento para testar com um critério definido?
- Você mede contatos reais e vendas, além de cliques?
- A operação consegue atender mais clientes mantendo suas condições de entrega e margem?
As respostas ajudam a encontrar um ponto de partida. Google Ads e Meta Ads podem funcionar de forma complementar, mas cada investimento precisa ter uma função e um acompanhamento que façam sentido para a empresa.
Se você quer organizar essa escolha com apoio profissional, conte à DVS Performance sobre o seu negócio. A partir do seu momento, podemos identificar se você precisa de uma análise, orientação ou execução da gestão de performance.
Assuntos: Educativo