
Por Denys Sales, fundador da DVS Performance.
Quando alguém me diz que precisa vender mais, minha primeira análise não começa pelo valor do anúncio. Eu procuro entender o caminho entre a pessoa conhecer o negócio e se tornar cliente. Onde ela chega? O que encontra? Por que avança? Em qual momento desiste?
É para organizar essa leitura que usamos o funil. Ele ajuda a separar problemas que parecem iguais: falta de atenção, visitas pouco qualificadas, dúvidas sobre a oferta, dificuldade no atendimento e perda de oportunidades na decisão de compra.
Um anúncio pode gerar o contato certo. Para esse contato virar receita, o restante da operação precisa funcionar.
O que é um funil de vendas?
O funil é uma representação das etapas pelas quais as pessoas passam até realizar uma ação importante para o negócio. No processo comercial, essa ação costuma ser comprar ou contratar. Na mídia, pode ser enviar um formulário, iniciar uma conversa ou concluir uma compra online.
A imagem se estreita porque nem todas as pessoas que conhecem a empresa avançam até a venda. Parte não tem a necessidade naquele momento. Parte precisa de mais informação. Outras encontram uma barreira que a empresa pode corrigir.
Eu uso o funil como um mapa de decisões. Não é uma sequência obrigatória de anúncios: uma pessoa pode descobrir uma marca e comprar no mesmo dia; outra pode comparar opções durante semanas. Ela também pode voltar a etapas anteriores. O desenho organiza a análise, sem substituir o comportamento real.
Atrair, conquistar atenção, adquirir público, gerar consideração e converter
Esses conceitos se relacionam, mas cada um responde a uma pergunta diferente. Separá-los evita cobrar de uma campanha um resultado que ela não foi preparada para entregar.
1. Atrair: ser encontrado pelas pessoas certas
A atração aproxima o negócio de um público que pode ter interesse no que ele oferece. Pode acontecer por anúncios, busca no Google, conteúdos, indicação, presença local ou outros canais.
Uma clínica pode ser encontrada por alguém buscando atendimento na região. Uma loja pode aparecer para uma pessoa que procura determinado produto. O primeiro cuidado é a relevância: aparecer para muita gente não significa aparecer para possíveis clientes.
2. Conquistar atenção: dar um motivo para a pessoa continuar
Aparecer e receber atenção são coisas diferentes. Uma impressão indica que o anúncio foi exibido; não prova que a pessoa compreendeu a mensagem ou se interessou pela oferta.
Conquistar atenção exige uma mensagem que faça sentido para a necessidade, o desejo ou a dúvida daquele público. Pode ser mostrar como um serviço funciona, apresentar uma característica relevante do produto ou responder a uma preocupação que impede a pessoa de avançar.
Atenção é interesse conquistado; aquisição é a entrada de público ou de oportunidades na jornada. Quando falo em aquisição de público, estou falando, por exemplo, de trazer visitantes relevantes ao site. Quando falo em aquisição de clientes, estou falando de pessoas que efetivamente compraram. Não trato as duas coisas como equivalentes.
3. Aquisição: trazer a pessoa para um ambiente onde ela possa avançar
Depois de despertar interesse, é preciso oferecer um caminho: acessar uma página, conhecer o produto, consultar informações ou conversar com a empresa. A aquisição conecta a origem do público ao ambiente de decisão.
Um clique isolado não prova qualificação. Para avaliar a qualidade dessa entrada, observo a combinação entre origem, mensagem, comportamento e avanço: a pessoa chegou à página correta, explorou a oferta e realizou ações relevantes? O público tem compatibilidade com a região atendida e com as condições comerciais?
Cliques, sessões e engajamento ajudam na leitura. A confirmação mais forte vem do que acontece depois: contatos qualificados, propostas, pedidos e clientes. Não existe uma única métrica universal que certifique a qualidade de todo público.
4. Consideração: construir motivos para comprar ou conversar
Na consideração, a pessoa avalia se a solução atende ao que precisa e se confia no negócio. Ela pode comparar alternativas, entender o preço, verificar prazo, esclarecer dúvidas e buscar segurança.
Em um e-commerce, isso inclui descrição do produto, medidas, fotos, frete, prazo e condições de pagamento. Em uma clínica ou serviço local, pode incluir localização, funcionamento, experiência profissional, disponibilidade e explicação do atendimento.
Os conteúdos e anúncios dessa etapa precisam ajudar na decisão. Pedir “compre agora” repetidamente não resolve uma dúvida sobre a oferta. A consideração também acontece no site, no perfil da empresa e no atendimento — não apenas dentro de uma campanha.
5. Conversão: a ação definida como objetivo
Conversão não é sinônimo automático de venda. É a realização de uma ação que foi definida como relevante e configurada para ser medida. O próprio Google Ads admite diferentes ações, como compras, formulários e chamadas. Veja a explicação oficial sobre acompanhamento de conversões.
Em campanhas de captação para clínicas e negócios locais, a conversão principal da mídia costuma ser o contato efetivo: uma conversa iniciada, uma ligação ou um formulário enviado. Nesse modelo, a mídia entrega uma oportunidade comercial. O agendamento, o comparecimento e a contratação são etapas seguintes do negócio.
Isso não é uma regra que obriga toda clínica a medir apenas contatos. Quando a estrutura permite, também é possível acompanhar agendamentos, leads qualificados e vendas. O importante é saber exatamente o que cada indicador representa.
Clicar no botão do WhatsApp não comprova que a mensagem foi enviada. Se você mede somente o clique, precisa identificá-lo como clique. Para afirmar que houve contato, é necessário confirmar a conversa ou a solicitação por uma integração ou pelo registro do atendimento.
Funil do negócio e funil de mídia paga: qual é a diferença?
O funil do negócio considera a jornada comercial como um todo, independentemente do canal de origem. Inclui oportunidades vindas de anúncios, indicação, busca orgânica, redes sociais e relacionamento. Continua pela qualificação, atendimento, proposta, compra, entrega e retenção.
O funil de mídia paga (tráfego pago) organiza como os anúncios participam dessa jornada: quais públicos alcançar, quais mensagens apresentar, para onde direcionar as pessoas e quais ações medir. Ele é uma parte do sistema comercial.
As etapas podem se sobrepor. Em um e-commerce, a compra confirmada pode ser tanto uma conversão da mídia quanto uma venda do negócio. Em uma operação que vende por atendimento, o contato pode encerrar a etapa de captação da mídia e abrir a etapa comercial da empresa.

Abrir o diagrama ampliado dos funis
Como isso funciona na prática em uma clínica ou negócio local?
Imagine uma operação que recebe interessados por anúncios. A pessoa vê uma mensagem, acessa a página, entende o serviço e entra em contato. A partir daí, alguém precisa responder, compreender a necessidade, verificar disponibilidade e conduzir o próximo passo.
Considere este exemplo didático, com números hipotéticos: em um período, foram investidos R$ 2.000, houve 100 contatos efetivos, 40 contatos qualificados e 10 novos clientes.
- Custo por contato: R$ 2.000 ÷ 100 = R$ 20.
- Taxa de qualificação: 40 ÷ 100 = 40%.
- Conversão de contato em cliente: 10 ÷ 100 = 10%.
- Custo de mídia por novo cliente: R$ 2.000 ÷ 10 = R$ 200.
O último indicador considera apenas o investimento em mídia. O CAC completo, custo de aquisição de cliente, deve incorporar os custos de aquisição que o negócio definiu para essa análise.
Perceba a diferença: R$ 20 para gerar um contato não significa R$ 20 para conquistar um cliente. Se o anúncio atrai pessoas fora da região atendida, há uma questão de aquisição. Se os contatos têm perfil, mas não recebem resposta, há uma questão de atendimento. Se existe interesse e o prazo não atende à necessidade, há uma limitação operacional.
Minha análise procura descobrir em qual passagem a oportunidade está sendo perdida. Aumentar a verba antes disso pode apenas aumentar a fila do mesmo problema.
E como funciona em um e-commerce?
No e-commerce, uma jornada possível é: anúncio ou busca → visita → produto → carrinho → checkout → pedido confirmado → entrega → recompra. O cliente pode concluir a compra sem falar com alguém, mas ainda depende da oferta e da experiência.
Se chegam visitantes, mas poucos exploram os produtos, verifico a coerência entre anúncio e página. Se há interesse e abandono no carrinho, analiso custos e condições apresentados. Se o checkout perde pedidos, observo usabilidade, pagamento e eventuais falhas. Esses sinais orientam a investigação; sozinhos, não provam a causa.
Também avalio receita, ticket médio, margem e custo de aquisição. Uma campanha pode gerar pedidos e ainda comprometer o lucro quando o custo de mídia se soma a descontos, frete subsidiado, taxas e demais despesas.
O funil precisa mostrar onde as pessoas avançam. A leitura financeira precisa mostrar se esse avanço faz sentido para o negócio.
É necessário ter uma campanha para cada etapa?
Não necessariamente. Uma campanha pode alcançar pessoas em momentos diferentes. Uma busca específica pode trazer alguém próximo da decisão; um conteúdo pode despertar interesse em quem ainda está conhecendo a solução.
O objetivo é ter coerência entre público, mensagem, destino e ação esperada. O balanceamento da verba depende da demanda, do orçamento, do ciclo de decisão e dos resultados. Eu não parto de uma porcentagem fixa que sirva para qualquer operação.
O retargeting, também chamado de remarketing, pode ajudar a retomar o contato com públicos que já interagiram, quando há estrutura e público suficientes. Mas ele não substitui uma boa oferta nem corrige, sozinho, dificuldades de atendimento ou de compra.
O que medir para encontrar o gargalo?
- Atração e atenção: alcance, frequência e indicadores de interesse compatíveis com o formato da mensagem.
- Aquisição: visitas reais, custo por visita e comportamento relevante na página.
- Consideração: exploração da oferta, dúvidas recorrentes, pedidos de informação e avanços na jornada.
- Conversão da mídia: contatos efetivos ou compras, com uma definição consistente e sem duplicidade.
- Conversão do negócio: qualificação, agendamento, comparecimento, propostas e vendas, conforme a operação.
- Sustentação: margem, capacidade de entrega, retorno do cliente e recompra.
Compare taxas entre etapas usando a mesma definição, um período coerente e, quando possível, a mesma origem de público. Quem entra hoje pode comprar semanas depois. Misturar períodos e chamar todo clique de lead produz uma leitura enganosa.
O GA4 também diferencia eventos como generate_lead, para solicitação de informações ou formulário, e purchase, para compra. Isso reforça a importância de registrar ações distintas com nomes e critérios claros.
Como eu aplico essa leitura no Método ETAPAS
No Método ETAPAS, o funil conecta a realidade comercial às configurações e aos dados. Eu organizo essa análise em seis etapas:
- Entender: conhecer a oferta, o público, as metas, a margem e a capacidade de atender.
- Traçar: mapear a jornada e definir o significado de visita, contato, oportunidade e venda.
- Analisar: observar as passagens, as origens e os custos para localizar as perdas.
- Priorizar: escolher o gargalo que merece atenção antes de ampliar o investimento.
- Agir: aplicar as ações previstas no escopo, com responsabilidade definida para cada frente.
- Sustentar: acompanhar a evolução e ajustar o trabalho conforme os resultados e a operação.
A pergunta que eu quero que você leve deste artigo é: “Em qual etapa meu negócio está perdendo oportunidades — e quais dados confirmam isso?”
Quando essa resposta fica bem definida, o investimento deixa de ser uma tentativa isolada. Ele passa a fazer parte de um caminho que você consegue acompanhar, avaliar e melhorar.
Conheça o Método ETAPAS ou conte o momento do seu negócio para a DVS Performance.
Assuntos: Educativo