
Por Denys Sales — DVS Performance
Você anuncia uma promoção, os pedidos aparecem e a operação ganha movimento. A campanha termina, o preço volta ao normal e as vendas caem. Na tentativa de recuperar o ritmo, vem outro desconto. Depois, outro.
Quando isso se repete, é fácil concluir que o cliente só compra pelo menor preço. Eu prefiro investigar uma pergunta anterior: o que faz essa pessoa escolher o seu negócio quando não existe uma promoção?
Desconto pode ter uma função comercial legítima. O problema começa quando ele vira a principal resposta para qualquer dificuldade de venda. Neste artigo, vou explicar como avaliar essa dependência e trabalhar valor percebido, oferta e margem de forma conectada.
Promoção planejada e dependência de desconto são situações diferentes
Uma promoção pode ajudar a movimentar estoque, testar uma oferta ou atender a uma sazonalidade. Ela precisa ter objetivo, público, prazo e uma conta que faça sentido. Já a dependência aparece quando o negócio perde capacidade de vender nas condições habituais e recorre a cortes de preço sem entender a causa.
Observe alguns sinais:
- Os pedidos se concentram nos dias de promoção e desaparecem nos demais.
- A comunicação mostra quase sempre percentual de desconto, deixando os diferenciais em segundo plano.
- O cliente pergunta pela próxima oferta antes de considerar o produto ou serviço.
- O faturamento aumenta, mas a margem disponível para manter a operação diminui.
- A equipe precisa negociar preço para fechar quase toda venda.
Esses sinais justificam uma análise. Eles não provam, isoladamente, que as promoções causaram o problema. Sazonalidade, estoque, concorrência, atendimento e qualidade do tráfego também podem explicar uma queda.
Se a diferença não fica visível, o preço ganha espaço
Valor percebido é a importância que o cliente atribui ao que recebe em relação ao que precisa pagar e às alternativas disponíveis. Ele depende do que a pessoa consegue compreender antes de decidir.
Se duas lojas parecem oferecer a mesma coisa, com informações parecidas e a mesma experiência, comparar preço se torna um caminho simples. Sua operação pode ter qualidade, conveniência e atendimento superiores, mas esses benefícios precisam aparecer de forma concreta.
Em uma loja de roupas, isso pode significar explicar tecido, acabamento, caimento, medidas e condições de troca. Em um serviço local, pode envolver apresentar o processo de atendimento, o que está incluído, a experiência do profissional e os cuidados adotados. Em uma clínica, a comunicação deve respeitar as regras da profissão e apresentar informações responsáveis, sem prometer resultados de saúde.
Não basta dizer “temos qualidade”. É preciso mostrar o que essa qualidade representa na escolha do cliente. Fotos úteis, demonstrações, descrições completas e avaliações autênticas ajudam a responder dúvidas que um anúncio de desconto não resolve.
Oferta é muito mais do que um preço menor
Eu considero a oferta como o conjunto que a pessoa avalia: produto ou serviço, benefícios, condições, entrega, conveniência e confiança. O preço faz parte desse conjunto.
Uma oferta pode ficar mais interessante sem reduzir o preço de todos os itens. Algumas possibilidades, quando fizerem sentido para a operação, são:
- Combinações úteis: reunir produtos complementares que resolvam uma necessidade real, com margem calculada.
- Condições de entrega: apresentar prazo e custo com transparência, antes de criar uma expectativa que o checkout não atende.
- Facilidade de escolha: ajudar o cliente a encontrar tamanho, modelo ou serviço adequado.
- Continuidade: oferecer um plano recorrente para quem realmente precisa de atendimento periódico, explicando condições e benefícios.
- Segurança na decisão: esclarecer troca, suporte, funcionamento e limitações daquilo que está sendo oferecido.
Brinde, frete subsidiado e parcelamento também têm custo. Trocar um desconto por outro benefício sem fazer a conta pode manter o mesmo problema de margem com uma aparência diferente.
O desconto parece pequeno. O impacto na margem pode ser grande
Vamos usar um exemplo hipotético e simplificado. Um produto custa R$ 100 para o cliente e tem R$ 70 de custos e despesas variáveis considerados nesta conta. Sobram R$ 30 de contribuição por unidade, antes da mídia e dos custos fixos.
Com 10% de desconto, o preço passa para R$ 90. Mantendo os R$ 70 de custos, sobram R$ 20. O preço caiu 10%, mas a contribuição por unidade caiu aproximadamente 33%.
Antes, dez unidades deixavam R$ 300 de contribuição. Agora, são necessárias quinze unidades para chegar aos mesmos R$ 300: 50% mais volume para preservar a contribuição desse exemplo.
Na operação real, impostos, taxas, frete, devoluções e custo de aquisição podem mudar com o preço e o volume. A conta precisa refletir essas mudanças. E contribuição não é lucro: ainda é necessário considerar as demais despesas do negócio.
É por isso que eu não avalio uma promoção apenas pelo número de pedidos ou pelo ROAS. Se quiser aprofundar essa relação, leia também ROAS alto significa lucro?
Seu anúncio está criando interesse ou ensinando o cliente a esperar?
Quando toda comunicação gira em torno de preço, o público recebe pouca informação sobre os motivos para escolher a marca. A campanha de conversão acaba tentando compensar, com desconto, uma consideração que não foi construída.
O funil de vendas e o funil de mídia paga ajudam a organizar essa jornada:
- Atenção: apresentar uma situação, desejo ou necessidade com a qual o público se identifique.
- Aquisição de público: trazer pessoas com potencial de interesse para os canais do negócio.
- Consideração: explicar diferenças, demonstrar uso e responder dúvidas relevantes.
- Conversão: facilitar a compra ou o contato com uma oferta compreensível e um próximo passo simples.
Em um e-commerce, a pessoa pode concluir a compra no site. Em uma clínica ou negócio local, o anúncio pode gerar um contato, mas atendimento, disponibilidade e proposta ainda influenciam o fechamento. Um desconto não corrige sozinho nenhuma dessas etapas.
Os criativos precisam ter funções diferentes. Conteúdo que apresenta um benefício pode abrir o interesse; uma demonstração pode apoiar a consideração; uma oferta específica pode ajudar na decisão. Repetir a mesma promoção para todos os públicos limita essa conversa.
Antes de cortar preços, encontre a dúvida que está impedindo a venda
Nem toda objeção declarada como “está caro” significa falta de orçamento. A pessoa pode não ter entendido o benefício, estar insegura sobre a entrega ou não encontrar informação suficiente para comparar.
Também pode existir uma questão objetiva de preço ou de público inadequado. Por isso, eu observo a jornada e os dados antes de sugerir mudanças:
- Quais dúvidas aparecem no WhatsApp ou no atendimento?
- As páginas explicam o que está incluído e para quem o produto serve?
- O frete ou o prazo muda a decisão no final da compra?
- Os anúncios atraem pessoas que valorizam a proposta ou apenas caçadores de promoção?
- O cliente encontra coerência entre anúncio, página e atendimento?
- Os produtos mais divulgados têm disponibilidade e contribuição suficientes?
A resposta pode estar na comunicação, na oferta, no canal, na experiência ou na própria operação. Encontrar esse ponto é mais útil do que acrescentar outro percentual de desconto.
Como o Método ETAPAS organiza essa mudança
No Método ETAPAS, conectamos análise do negócio, configurações e dados para identificar onde a performance encontra uma trava. Na dependência de descontos, o trabalho pode seguir este caminho:
- Entender: conhecer público, produtos, margem, histórico de promoções, atendimento e motivos de compra.
- Traçar: definir o papel das ofertas e a estratégia de comunicação em cada etapa do funil.
- Analisar: cruzar desempenho das campanhas, comportamento no site, pedidos, custos e dúvidas dos clientes.
- Priorizar: escolher o gargalo com maior impacto possível e uma mudança que a operação consiga executar.
- Agir: aplicar ajustes nas frentes contratadas e testar hipóteses com objetivos definidos.
- Sustentar: acompanhar os efeitos, ajustar a estratégia e registrar o que funciona em diferentes condições.
O método organiza decisões. Ele não transforma qualquer mudança em resultado garantido, nem substitui a qualidade do produto, do atendimento e da entrega.
Como reduzir a dependência sem derrubar o movimento da operação
Eu não recomendo retirar todas as promoções de uma vez apenas para “valorizar a marca”. Uma mudança brusca pode comprometer o caixa antes que a nova comunicação seja compreendida.
Comece com um grupo de produtos ou uma oferta específica. Melhore a apresentação, responda às dúvidas recorrentes e teste mensagens que mostrem benefícios reais. Mantenha um objetivo e um período de avaliação adequados ao ciclo de compra.
Compare condições equivalentes. Uma semana de promoção e uma semana comum podem ter diferenças de demanda, estoque e investimento. Sempre que possível, use um teste controlado para separar o efeito da mudança de outros fatores.
Acompanhe, além da receita:
- Participação dos pedidos realizados sem desconto.
- Desconto médio e contribuição por pedido, incluindo os custos pertinentes.
- Custo de aquisição e contribuição após mídia.
- Ticket médio, devoluções e cancelamentos.
- Compras de novos clientes e comportamento de recompra.
- Nos serviços, qualidade dos contatos, fechamento e capacidade de atendimento.
O objetivo é construir motivos para comprar nas condições que sustentam o negócio. Uma promoção bem planejada pode continuar existindo, com uma função definida e uma conta conhecida.
O próximo passo começa pela causa
Se o seu negócio só ganha movimento quando reduz preço, vale investigar o que a comunicação, o funil e a operação estão deixando de entregar antes da decisão de compra.
Eu sou Denys Sales, da DVS Performance. Meu trabalho é conectar mídia, dados e realidade comercial para identificar gargalos e definir ações coerentes com o negócio. Se essa é a dificuldade que você está enfrentando, conte como sua operação funciona e vamos conversar sobre a solução adequada.
Assuntos: Educativo